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29/07/2004 16:54
Há cobras que atiçam suas línguas, como as chamas que clamam por devorar madeira.
A peçonha pinga e escorre pelas presas sujas e malditas, dessas serpentes que apragueiam a vida alheia, como jovens moças que arremessam festim nos carnavais da vigorosa idade.
Oh, santa revolta presente em meu peito, graças te dou por não dar um minuto de trégua a esse espírito inquieto e questionador.
Se não fosses tu, seria mais um cômodo submisso da sociedade.
Se não fosses tu, minha razão estaria estagnada no censo comum, sem vontade alguma de ampliar seus horizontes...
Oh santa revolta, ao mesmo tempo boa e má...
Oh santa revolta, que impulsiona e desanima, mostra-me as realidades mais contraditórias, delas sugas o alimento vital e projeta em mim seus fluidos para que se manifestem em forma de protesto.
enviada por Osvaldo Nery Neto
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