Salve a revolucao armada com palavras ditas!!! Osvaldo Nery Neto

16/07/2004 13:20
Do silêncio renasce a rosa.

Do Silêncio renasce a rosa,
do poeta renasce a poesia,
nele morre a dor e a alegria,
mas revive a prosa, e desperta a agonia.

Renasce a melancolia,
e o poema melancólico,
a depressão, o escuro,
e o outro lado do muro
das aparências...

Grita a dor de uma vida não vivida.
Chora a realidade da sobrevivência.

Grita o poeta,
clama à Sophia.

Expurga todas maldades,
deprimi-se pelas falsidades,
e entre as pessoas prefere se calar.

Diz ele que antes o silêncio,
do que injúrias dos outros proferir.
Não gosta da mentira,
não gosta de mentir.

Está triste, desanimado,
sente-se no astral do inferno
com o corpo todo queimado,

Nos seus olhos não há mais brilho,
no seu peito só a dor e tristeza,
na sua mente só há saudades,
das lembranças, das esperanças
e de certas, muito raras, proezas.

Olha pro alto e assiti os anjos.
De um lado só vê demônios,
são belos e chegam a ser simpáticos,
reflete sobre os homens,
e a diferenças dos antipáticos
obcecados pelo poder,
fascinados pela fama,
sem respeito e educação,
com a forte pretensão,
e os valores invertidos
de ter ao invés de ser.

Chora,
se cala e chora,
volta a olhar pro alto,
e de novo vê demônios,
giram todos à sua cabeça, acima,
festejam, gritam e bailam,
dançam e fazem rimas...

...dão graças a humanidade,
pelo estágio de promiscuidade,
que o tão sagrado homem está.

Voam de um lado pro outro,
vão de cá pra lá,
dão rasantes com suas asas,
invadem a morada alma,
os corpos dos homens, as casas,
cospem fogos,
na imaginação atiram brasas,
e de repente pairam...

...pairam sobre a mente do poeta,
e inspiram-no à escrever,
inspiram-no para descrever,
o lodo imundo da mente humana,
a gana desumana,
e os olhares falsos de certas fêmeas
todas putanas.

E o poeta para,
o poeta pensa,
e o poeta repensa
e decidi hesitar,
pois sabe que a medida que vê
também sente,
e a medida que escreve, vive,
então prefere se preservar...

Mas tomado de curiosidade,
pensa no tamanho da profundidade
que o inferno deve ter.

Então resolve fazer,
diz, que não quer a alma vender,
mas vai arriscar a aventura de descrever.
providencia o papel e a caneta,
e começa ao inferno descer...

enviada por Osvaldo Nery Neto






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